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1 de fev. de 2012

Nosso Pai: Uma saudade muito alegre!

NOSSO PAI

Ele era muito engraçado. Consultado sobre algum assunto, nunca dava sua opinião sem antes criar uma comparação com o problema em questão. Jevan e eu namoramos certa de três anos no maior sofrimento, escondidos, até que um dia nosso pai resolveu abrir mão e “aceitou” o namoro. Ficamos tão felizes que vendemos uma correntinha de ouro que eu tinha e compramos um par de alianças. Jevan foi falar com ele, oficializar o noivado. Quando voltou, eu fiquei muito triste, mas indecisa se não caberia também rir da resposta que ele deu. 

Veja só: - Jevan, pense direitinho, continue estudando, vamos ver se você consegue um emprego. Não se precipite, deixe isso pra mais na frente. Quando chegar o tempo, eu mesmo ajudo a você com esse casamento. Olhe, se vocês resolverem casar agora vai acontecer igual a um peão domando um cavalo “brabo”. Todos ajudam, até ver o peão em cima do cavalo. Então, cada um dá um cutucão no cavalo e corre pra longe. E o peão que faça sozinho o que puder antes da queda! E haja comparação! Rsrsrs

24 de ago. de 2009

As nossa cruzes!

Nessa foto está ele e um viajante de medicamentos e atrás é um rapaz dos Moura de Cedro.

Quando nosso pai se foi, a gente ficou procurando alguma coisa que ele tivesse escrito. Difícil tarefa. Ele era muito bom de falar, ao contrário de mim, mas não escrevia quase nada. Depois de revirar tudo, encontramos algumas coisas. Uma foto da nossa casa, na enchente de Cedro, a cartinha que ele fez “pedindo” minha mãe em namoro. Linda cartinha de quase 50 anos, e outras coisinhas. E uma muito interessante, uma relação com o nome dos filhos, seguidos de uma cruz. Mas o que seriam essas cruzes? Demorou um tempinho pra alguém descobrir.

A relação era assim:

Tereza ++++
Hermano ++++
Regina ++
Eulina ++++
Tarciso ++
Marizinha +++
João +++
Candinha +
Cecília ++
Eudin
Cesar
Ana Cristina
Tereza Cândida

Acho que estava assim na época, mas não tenho certeza se errei algum. E cada cruz era o número de filhos que a gente tinha! rsrsrssr

2 de ago. de 2009

Manoel Costa: Uma saudade alegre


A letra dele. Muito linda.

Nossa irmã Lininha estava noiva de Bernardo quando este, numa farra com outros amigos, resolveu sair com uma das meninas. Na época, (1966) isso terminava em casamento. Não tinha o “ficar”. Foi um escândalo. Cidade pequena, nossa casa encheu de gente curiosa pra ver o drama. Quando eu cheguei em casa, ela estava na mesa da sala, com a cabeça entre os braços e a aliança no meio da mesa. Meu pai falava para as pessoas:

- vão pra suas casas, está sem jeito. Amanhã a gente vê como fica.

Quando todo mundo saiu, ele chamou jevan pra conversar e disse o seguinte:

- Essas coisas são como uma pessoa que vai passando para uma festa, com uma calça branca de linho e, em certo momento um carro passa num poço de lama e respinga a calça. Se a pessoa passa a mão, espalha a lama e não tem jeito. Suja tudo. O certo é esperar secar, então formam-se uma bolinhas duras que você facilmente remove do tecido...

Vamos deixar “esfriar”. Aí a gente vê o que deve ser feito.

....

Pra quem ficou curioso com o resultado: O Bernardo não casou. Ficou louco, desesperado atrás da nossa irmã, mas nosso pai falou pra ela que nunca mais falasse com ele, embora deveria deixar claro que “ela” não queria.

Ele não podia perder a amizade do pai do rapaz, que era compadre, parceiro político, etc. E assim foi.